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Que horas são?
Que dia é hoje?
Que lugar é esse?
Não sei!!
Não sei que
dimensão mágica é essa que estamos vivendo, saboreando,
experimentando. Cada novo ser é um novo velho amigo, um novo
velho conhecido. Que nirvana é esse que, inesperadamente nos
põe cegos, mudos, calados, estatelados?
Que mestres são
esses que, de sublime arcanjo a abominável carrasco,
alterando-se em magos lógicos e hábeis cômicos, nos conduzem a
um ponto sideral cuja localização é incerta e não sabida?
E quem são estas
criaturas todas que, embora nunca vistas, remontam na memória
cenas de um passado vivido, saboreado e conhecido?
Bem, se explicar
não vale, vale ressaltar que são amigos muito queridos. São
pessoas que se conheceram agora, apesar de velhos conhecidos.
Porém, como que
apagados da memória, hoje ressurgem tímidos, medrosos,
cautelosos. Mas, conduzidos por nossos mestres, pouco a pouco se
revelam. E cantam. E dançam. E rodam. E choram. E riem. E amam.
Sim, amam. Primeiro
a si próprios, depois a seus amigos.
E, num processo
crescente e envolvente, estamos todos em volta de um velho piano.
Como colegiais. Cantando e chorando nossas mais curtidas
canções.
E, como crianças
ainda sem sexo, nos embalamos, nos abraçamos, nos amamos. Na
mais sublime forma de amar: De mãos dadas. Cantando.
Felizes somos nós,
deste grupo, de podermos compartilhar um momento tão doce nessa
nossa vida tão amarga.
Felizes somos nós
por podermos viver esta experiência impar, num clima de
liberdade sadia e fraterna.
Felizes seremos
nós, que poderemos levar na alma a experiência de saber quão
bom e fértil é o ambiente acolhedor.
Felizes são nossos
mestres por verem refletidos em nossos rostos a leveza da
satisfação da nossa realização.
E, feliz sou eu por
poder saber disso e poder me amar, como há muito tempo precisava
- quanto tempo perdido.
Mas, de hoje em
diante, há o prazer de saber: Há luz no fim do túnel... E não
é a de nenhum incêndio.
Merecemos boa
sorte. Sejamos felizes.
Serra Negra
23/07/93 02:30 hs
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